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Antes de alugar a sua usina: cinco perguntas para quem vai administrá-la
A negociação costuma girar em torno do percentual. As perguntas que mais influenciam o resultado de dois anos são outras cinco, e nenhuma delas é sobre preço.
Quem investe numa usina e entrega a operação para uma empresa administrar negocia, quase sempre, uma coisa só: quanto fica com quem. É a pergunta óbvia e é a mais fácil de comparar entre propostas.
Só que a diferença entre uma administração boa e uma ruim raramente aparece no percentual. Ela aparece no segundo ano, quando alguma coisa muda — um consumidor sai, o contrato vence, a regra tributária se altera — e você descobre como a empresa se comporta quando o combinado precisa ser revisto.
Estas cinco perguntas revelam isso antes de assinar.
1. Como eu acompanho, e sem depender de quem?
Peça para ver, na prática, o que você vai receber todo mês. Não a promessa: o documento.
E repare em uma coisa específica: se a resposta for "eu te mando", a informação mora com uma pessoa. Isso funciona bem — até essa pessoa sair de férias, adoecer ou deixar a empresa.
2. O que acontece quando entra ou sai um consumidor?
Essa é a mudança mais comum na vida de uma usina, e é a que mais mexe no seu bolso.
A resposta deveria incluir três coisas: como o rateio é recalculado, quando você fica sabendo, e o que acontece com a energia que sobra enquanto não há um consumidor novo. Se a resposta for genérica, é sinal de que não há processo — há improviso, e o improviso custa meses de ociosidade.
3. O que exatamente é descontado antes de chegar em mim?
Peça a lista com nome e critério de cada desconto. Uma administração organizada responde isso de imediato, porque é exatamente o que ela precisa calcular todo mês.
Desconto que só aparece no fim, agregado num valor único, é desconto que você não vai conseguir conferir nunca.
4. Quem é responsável pela manutenção, e como eu sei que foi feita?
Contrato de administração e contrato de manutenção às vezes são a mesma coisa e às vezes não. Descubra qual é o seu caso antes de precisar.
E pergunte pelo registro: quando um serviço for executado na sua usina, você vai ver o quê? "A gente avisa" é diferente de "fica registrado com data e foto".
5. Se eu quiser sair, o que eu levo comigo?
A pergunta desconfortável, e a mais importante das cinco.
O histórico da sua usina — geração, consumidores, valores, serviços — é informação sobre o seu ativo. Combine agora, por escrito, que você recebe esse histórico em formato utilizável se a relação terminar.
Quem administra bem não hesita nessa. Quem hesita está te dizendo, sem dizer, que o histórico é o que prende você.
Uma observação sobre desconfiança
Nada disso é hostilidade com o parceiro, e a boa administradora não vai receber assim. Quem trabalha organizado responde as cinco em poucos minutos, porque são as mesmas informações que ela usa internamente.
O contrário também é informativo: se as cinco perguntas geram desconforto na conversa inicial — quando a empresa está tentando ganhar o seu contrato —, vale pensar em como será a conversa quando ela já tiver ganhado.
Erik Guilherme
CEO da Erlis Tecnologia