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O que o dono da usina deveria receber todo mês sem precisar pedir
Quem investiu numa usina e entregou a operação para outra empresa costuma receber um valor e nenhuma explicação. Isto é o mínimo que deveria chegar junto.
Se você comprou uma usina como investimento e alguém administra para você, provavelmente a sua rotina mensal é esta: o dinheiro cai — ou não cai — e você descobre quanto foi quando olha o extrato.
Se quiser entender por que foi aquele valor, precisa ligar. E a resposta chega quando a pessoa que sabe estiver disponível.
Isso não é má-fé de quem administra. É o efeito de um controle que foi montado para calcular, não para prestar contas. Mas o resultado prático é que o investidor fica dependente de um telefonema para saber o que está acontecendo com o próprio ativo.
Quatro coisas que deveriam chegar junto com o valor
1. Quanto a usina gerou no período, e quanto foi efetivamente aproveitado. Não é a mesma coisa. Energia que a usina destinou e não coube na fatura daquele mês vira crédito — continua sendo sua, mas não aparece no dinheiro do mês. Sem essa distinção, um mês bom parece ruim.
2. Quem está consumindo, e em que proporção. Se a sua usina atende quatro unidades, você deveria saber quais são e qual o percentual de cada uma. Não por curiosidade: porque é isso que explica a variação de um mês para o outro.
3. O cálculo, não só o resultado. Do valor bruto até o que chegou na sua conta há descontos, e cada um tem um nome. Um repasse que aparece como um número único é um número que ninguém consegue conferir.
4. O histórico. Um mês isolado não diz nada. Seis meses lado a lado dizem se a usina está estável, se caiu, ou se aquele valor menor foi sazonalidade.
A pergunta que separa uma operação organizada de uma improvisada
É simples e você pode fazer hoje, por mensagem:
"Consigo ver o meu repasse dos últimos doze meses sem precisar pedir para alguém?"
Se a resposta for "eu te mando", a informação está com uma pessoa, não num sistema. Isso funciona enquanto a pessoa estiver lá.
Não é sinal de desonestidade — a maioria das operações começa assim, e muitas funcionam bem por anos. Mas é uma dependência que você não escolheu conscientemente, e vale saber que ela existe.
O que perguntar antes de assinar
Se você ainda está negociando a administração da sua usina, três perguntas valem mais que qualquer cláusula sobre rentabilidade:
- Como eu acompanho, e com que frequência? Peça para ver um exemplo do que você vai receber
- O que acontece se entrar ou sair um consumidor? A resposta deve incluir como isso muda o seu repasse e quando você fica sabendo
- Se eu quiser conferir um mês antigo daqui a dois anos, com quem eu falo? Se o nome de uma pessoa aparecer na resposta, você já sabe onde mora o histórico
Prestação de contas não é desconfiança
Vale dizer isso com todas as letras, porque muita gente evita perguntar para não parecer que desconfia de quem administra.
É o contrário. Operação que presta contas bem tem menos atrito, menos cobrança e relação mais longa — justamente porque o investidor não precisa perguntar. Quem administra bem quer que você veja: é o que faz você renovar sem negociar de novo.
O incômodo de perguntar é pequeno. O de descobrir tarde que ninguém sabia explicar é grande.
Erik Guilherme
CEO da Erlis Tecnologia